quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fêmeas pirare: uni-vos!


Outro dia, numa toca com o presidente e nosso membro oriundo das selvas, notei que, com exceção de mim (mascote/majoritária) não existem patentes para as mulheres da pirare, fato esse que me deixou em estado de profunda reflexão, afinal, trata-se de algo que pensei não existir neste grupo: a diferença de gêneros. Talvez tenha demorado um pouco para sentir isso devido a meu ‘’título’’, minha sexualidade - que me faz circular pelos dois campos com certa facilidade – e, principalmente, a falta de reinvindicação das integrantes por cargos mais altos, ou melhor, por cargos quaisquer que sejam! Isso revela para mim alguns itens que expor-ei a seguir:

1. Nem um grupo dito ‘liberal’ como a pirare está livre das influências da base patriarcal e machista de nossa sociedade

2. As mulheres pirare, apesar de letradas, são profundamente acomodadas em seu papel de meras ‘’súditas’’. Isso não faz sentido, principalmente pelo fato do ‘modus operante’’ das fêmeas pirare ser, por vezes, mais masculinos que o ‘’modus’’ dos próprios machos.

3. Há que se rever a arcaica e obsoleta definição homem-mulher para: macho-fêmea,pois quando falamos da primeira definição pensamos nas características físicas, já a segunda nos leva para um campo de atuação sexual, o que creio ser mais correto visto as interações diversas que ocorrem neste grupo, além de tal nomenclatura não ofender os membros mais selvagens que nele adentraram.

4. Afinal, os membros que possuem patentes atuam de acordo com as mesmas? Ou seja, contribuem de forma efetiva para a manutenção do espirito e união pirare? Endossando e se preciso fazendo os sacrifícios necessários?

5. Lanço agora a derradeira questão: há necessidade de patentes?

Com o presidente em decadência e o suicídio do coronel creio que estes títulos estão afetando a psique de tais indivíduos, que se mostram cada vez mais incapazes de arcar com tamanha responsabilidade e denotam que o poder corrompe o espirito beberrão, necessário para manter a maquina das vibes funcionando. Logo, cabe a nós, que não fomos corrompidas por esta força, tomar o poder e retornar a pirare a sua época de ouro, ou melhor, de poço.

São poucas as conclusões preliminares acerca deste assunto, no qual concentro meus estudos antropológicos, em uma análise falha de nossas interações sociais. Contudo, ainda que poucas exigem extrema atenção , de modo que a pirare como contracultura não pode cair nos mesmo erros desta sociedade barroca e deve rever seus conceitos, bem como suas integrantes devem unir-se e lutar contra esse sentimento de submissão disfarçado em patentes que atualmente vigora nesta hierarquia masculina miada que hoje é a pirare.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Notas sobre a Filosofia Animal & Teoria da Selva


Categorizar aspectos poucos comuns à natureza racional do ser humano é um grande desafio. Portanto, minha presença aqui nesta página deve ser antes de mais nada esclarecida com um preâmbulo vago e quase completamente inútil .

Sobreviver a muitas quedas e alavancar meu destino da melhor forma possível foi a arte non grata a qual experienciei (e ainda faço uso) e não recomendo a mais ninguém. Passar uma noite etílica é sempre entender muito bem aqueles ciclos alquímicos de morte e renascimento: a sensação da morte é inevitável quando a mente entra em êxtase e a turbulência mental é tão grande que não se para de pensar ou de agir cegamente exteriorizando a alma animal escondida no mais profundo do ser.

Essa mescla de instinto de sobrevivência dos sentidos e a ação degenerada do ser me levou a pensar sobre algumas cousas nobres: Por que insistimos tanto em negar este aspecto selvagem que cada um possui? Ou quando resolvemos assumi-lo, sempre damos um sentido de piada e divertimentos? Será esta natureza primitiva adaptável a condição humana? O uso de substâncias pouco louváveis para moralidade social, é algo realmente reprovável? Por que insistimos tanto em que a consciência cotidiana e rotineira é a melhor opção de vida? Será os costumes caboclos, o folk e os ritos de fogueira figuras de uma linguagem ancestral, apenas com valor de objeto antropológico?

Pensando nessas dúvidas, passei a organizar melhor as idéias e observar mais atentamente aqueles que estavam próximos a mim e, desse substracto humano, extrair ponderações sobre o selvagem que co-existe em todos nós, humanos enlouquecidos pelo tempo e luxúrias pouco dignas da nossa real condição. A Partir de hoje, vou dedicar meus dedos a escrever sobre esta minha experiência a qual estou passando para daí então, tecer um argumento lógico-formal sobre esta filosofia que a partir de agora chamarei de duas maneiras: Filosofia Animal & Teoria da Selva.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A morte do Coronel


Depois dos últimos dias no campo de batalha, cansado, o Coronel senta em sua escrivaninha de madeira, na tenda escondida na floresta, puxa sua máquina de escrever e escreve suas ultimas memórias. O seu charuto paraguaio já não mais lhe é agradável. Seu uísque 5 estrelas viraria uma bebida barata a essa altura. As lembranças nostálgicas de suas vitórias em suas missões solo e nas grandes operações já não lhe dão mais aquele prazer nostálgico. Puxou o revolver da gaveta e riu. Era chegada a hora de obedecer as ultimas ordens de um presidente enlouquecido e decadente. Quando a primeira gota de suor tocou a mesa, puxou o gatilho e libertou-se. Pronto. Agora a cadeira do Coronel estava vaga.