Outro dia, numa toca com o presidente e nosso membro oriundo das selvas, notei que, com exceção de mim (mascote/majoritária) não existem patentes para as mulheres da pirare, fato esse que me deixou em estado de profunda reflexão, afinal, trata-se de algo que pensei não existir neste grupo: a diferença de gêneros. Talvez tenha demorado um pouco para sentir isso devido a meu ‘’título’’, minha sexualidade - que me faz circular pelos dois campos com certa facilidade – e, principalmente, a falta de reinvindicação das integrantes por cargos mais altos, ou melhor, por cargos quaisquer que sejam! Isso revela para mim alguns itens que expor-ei a seguir:
1. Nem um grupo dito ‘liberal’ como a pirare está livre das influências da base patriarcal e machista de nossa sociedade
2. As mulheres pirare, apesar de letradas, são profundamente acomodadas em seu papel de meras ‘’súditas’’. Isso não faz sentido, principalmente pelo fato do ‘modus operante’’ das fêmeas pirare ser, por vezes, mais masculinos que o ‘’modus’’ dos próprios machos.
3. Há que se rever a arcaica e obsoleta definição homem-mulher para: macho-fêmea,pois quando falamos da primeira definição pensamos nas características físicas, já a segunda nos leva para um campo de atuação sexual, o que creio ser mais correto visto as interações diversas que ocorrem neste grupo, além de tal nomenclatura não ofender os membros mais selvagens que nele adentraram.
4. Afinal, os membros que possuem patentes atuam de acordo com as mesmas? Ou seja, contribuem de forma efetiva para a manutenção do espirito e união pirare? Endossando e se preciso fazendo os sacrifícios necessários?
5. Lanço agora a derradeira questão: há necessidade de patentes?
Com o presidente em decadência e o suicídio do coronel creio que estes títulos estão afetando a psique de tais indivíduos, que se mostram cada vez mais incapazes de arcar com tamanha responsabilidade e denotam que o poder corrompe o espirito beberrão, necessário para manter a maquina das vibes funcionando. Logo, cabe a nós, que não fomos corrompidas por esta força, tomar o poder e retornar a pirare a sua época de ouro, ou melhor, de poço.
São poucas as conclusões preliminares acerca deste assunto, no qual concentro meus estudos antropológicos, em uma análise falha de nossas interações sociais. Contudo, ainda que poucas exigem extrema atenção , de modo que a pirare como contracultura não pode cair nos mesmo erros desta sociedade barroca e deve rever seus conceitos, bem como suas integrantes devem unir-se e lutar contra esse sentimento de submissão disfarçado em patentes que atualmente vigora nesta hierarquia masculina miada que hoje é a pirare.

